Quer trabalhar no exterior? Veja quais países aceitam cidadãos brasileiros

Especialistas revelam quais países são mais abertos a trabalhadores brasileiros e explicam o que é necessário fazer para conseguir uma autorização para ter um emprego legal nesses lugares

 

Diante da crise econômica e do consequente aumento das taxas de desemprego no Brasil, são cada vez mais comuns os casos de brasileiros que deixam sua terra natal para buscar uma oportunidade de trabalho no exterior. 

 

São vários os países em que você pode trabalhar se já tiver recebido uma proposta de emprego. Caso não tenha, então as opções são cinco: Austrália, Canadá, Estados Unidos, Irlanda e Nova Zelândia. "São países que necessitam de gente para trabalhar e até abrem portas para uma futura imigração", explica Eduardo Frigo, gerente de produto da CI Intercâmbio e Viagem.

 

Para conseguir trabalhar em um desses cinco países, os brasileiros precisam se matricular em um curso e entrar com um pedido para obter um visto de estudante. No caso de Austrália, Irlanda e Nova Zelândia, o curso pode ser apenas de idiomas. Ou seja, não é necessário nem ter proficiência no idioma local. Em geral, os empregos oferecidos são nas áreas de hospitalidade e serviços, como bares, restaurantes e hotéis.

 

As agências de intercâmbio afirmam que a procura por esse tipo de programa (estudo + trabalho) — que custa a partir de R$ 7 mil, dependendo da duração e do país escolhido — tem aumentado nos últimos anos. A razão, avaliam os responsáveis pelas empresas, é o aumento do desemprego no Brasil. "As pessoas não estão achando emprego, então investem em programas de extensão, de mestrado, para que, no retorno ao país, tenham mais possibilidades", pontua Bruno Contrera, gestor de educação responsável por cursos e universidades no exterior do Student Travel Bureau (STB).

 

Por fim, os especialistas também destacam a possibilidade de os brasileiros entrarem com um pedido para obter um visto de trabalho ou de residência e continuarem nesses países mesmo após o período de estudos. Os mais fáceis para isso, segundo eles, são Austrália, Canadá e Nova Zelândia.

 

"A Irlanda, por exemplo, tem muita demanda interna, vinda do Leste Europeu. Então é um pouco mais difícil para os brasileiros, porque a concorrência é maior. Os países da Oceania, além de serem mais receptivos, oferecem mais chances para o brasileiro que quer migrar", afirma Frigo. "No Canadá, há um sistema de pontuação, onde você vai acumulando pontos para poder entrar com um pedido de visto de residência. Algumas regiões, como a de Manitoba (onde fica a cidade de Winnipeg), são mais fáceis, porque precisam de mão de obra e a concorrência é menor", acrescenta Contrera.

 

Saiba mais sobre o trabalho para brasileiros nesses países:

 

Austrália

 

Para obter um visto de estudante (subclasse 500), que permite trabalhar até 40 horas por quinzena, é necessário apenas ser aceito por uma instituição de ensino, ter mais de 6 anos e adquirir um seguro saúde. Sobre a cidadania australiana, é possível solicitá-la, desde que sejam cumpridos alguns requisitos, como quatro anos de residência no país e fluência em inglês. Nos dois últimos anos, 1.141 brasileiros conseguiram a cidadania australiana, de acordo com o Departamento de Imigração e Proteção de Fronteiras do Governo da Austrália.

 

Canadá

 

Para ter o direito de trabalhar com um visto de estudante é necessário estar matriculado em um curso que forneça um diploma de nível superior. Além disso, a carga horária do emprego não pode ultrapassar 20 horas semanais. Depois de concluir o curso, o estudante tem o direito de continuar trabalhando no país por até três anos. Após esse tempo, é possível entrar com um pedido de residência permanente. Ele, no entanto, não é automático.

 

"Já faz alguns anos que o Canadá é o destino preferido dos brasileiros para estudos no exterior. Isso cria ligações pessoais entre os países e sustenta negócios no futuro. Com mais brasileiros conhecendo o Canadá no decorrer dos anos, é natural que eles busquem oportunidades de experiência de trabalho no exterior num país que já conhecem", avalia o embaixador do Canadá no Brasil, Riccardo Savone. "Como o primeiro-ministro Justin Trudeau afirmou no seu pronunciamento à Assembleia Geral da ONU no ano passado, o Canadá vê a diversidade como uma fonte de força, e não de fraqueza. Nosso país é forte não apesar da nossa diversidade, mas por causa dela", completa.

 

Estados Unidos

 

Assim como no Canadá, para trabalhar nos Estados Unidos, o estudante precisa estar matriculado em um curso de nível superior (College ou University) e ter recebido um visto de estudante (F1) ou de intercambista (J1). A carga de trabalho também não pode ultrapassar meio período.

 

Irlanda

 

Estudantes estrangeiros são autorizados a trabalhar meio período durante as aulas e em período integral nas férias. A Irlanda é um dos países mais procurados por brasileiros. Atualmente, 13.540 cidadãos do Brasil moram lá, constituindo a sexta maior comunidade estrangeira no país europeu.

 

"Os brasileiros são atraídos para a Irlanda pelo calor e pela simpatia do nosso povo, pela segurança e pela natureza compacta de nossas cidades e pela possibilidade de encontrar trabalho em áreas interessantes da economia moderna. Brasileiros e irlandeses compartilham um amor pela vida e uma compreensão da necessidade de um equilíbrio entre vida profissional e privada. O número de brasileiros que escolhem a Irlanda como um lugar para estudar, trabalhar e viver, provavelmente, continuará a crescer e nós os receberemos de braços abertos", afirma o embaixador da Irlanda no Brasil, Brian Glynn.

 

Nova Zelândia

 

No país da Oceania também é possível trabalhar 20 horas por semana com um visto de estudante. Depois de concluir os estudos, os interessados podem obter um visto de trabalho temporário por um ano. Se, nesse período, conseguirem uma oferta de emprego relevante para sua formação, poderão entrar com o pedido para um visto de pós-estudos, que vale por até dois anos.

 

Para conseguir a cidadania neozelandesa — obtida por 242 brasileiros em 2016 —, é preciso viver no país há cinco anos, ter reputação ilibada e domínio do inglês. "A Nova Zelândia é um país aberto à diversidade de culturas. Profissionais internacionais, com variadas experiências e perspectivas, inclusive os brasileiros, têm contribuído muito com setores importantes, como aqueles diretamente ligados à criatividade e à inovação", diz a embaixadora da Nova Zelândia no Brasil, Caroline Bilkey.

Fonte: Diário de Pernambuco

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Andrea Sebben

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